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Arena de Ideias: empresas precisam admitir racismo estrutural e iniciar processo transformador

por | 18/06/2020 | Impressões

A In Press Oficina realizou, nesta quinta-feira (18/6), a décima primeira edição do webinar Arena Ideias com o tema Responsabilidade das empresas no racismo estrutural. O objetivo foi debater o papel que gestores tem em comunicar, informar e conscientizar sobre o racismo dentro das empresas para contribuir com a reversão deste quadro.

A mesa virtual do debate foi composta por Luana Génot, empresária, jornalista e ativista; Elisa Lucinda, poetisa e atriz; Natália Lima, gerente de Conteúdo e Treinamentos da In Press Oficina; e pela sócia diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins.

As mortes de George Floyd e Rayshard Brooks nos Estados Unidos por policiais fizeram acender manifestações contra o racismo no mundo inteiro. Luana Genót fez questão de lembrar que o problema é igualmente grande no Brasil, onde um negro é assassinado a cada 23 minutos. A fundadora do ID_Brasil, Instituto Identidades do Brasil, exaltou o debate, reforçando que ele não dependa de um fato grave para que retorne à pauta.

Genót é uma das principais ativistas pela igualdade racial no país e escolheu o mundo corporativo, que concentra 70% dos empregos no país, como arena. “A gente tem varrido a pauta do racismo para trás de todas as outras pautas, mas é uma pauta à parte. E eu entendi que meu papel profissional poderia ser tocar nessa pauta de maneira constante, frequente estruturada e puxando organizações e empresas para terem metas e prazos em relação à isso”, afirmou.

Elisa Lucinda comparou o racismo estrutural a um “lamaçal, do qual devemos emergir se quisermos honrar a palavra democracia”. Para a atriz, empresas que queiram promover a igualdade racial em seus quadros devem sempre lembrar de respeitar a narrativa e a cultura das pessoas que os compõem.

Já Natália Lima clamou por mais representatividade nas empresas. Fã declarada de samba, fez um coro: “no samba em me sinto representada. Eu quero me sentir no meu trabalho como eu me sinto no samba. Quero olhar para o lado e ver um monte de gente como eu”, declarou. 

Patrícia Marins destacou que o tema pode soar incômodo ou polêmico, mas afirmou que que é necessário compreender e assimilar os conceitos para combatê-lo de maneira eficiente. “As empresas não podem resolver todos os problemas, mas devem agir sobre aquilo que está sob seu controle”, afirmou a sócia-diretora da In Press Oficina.

Coronavírus mata mais negros do que brancos

Dados da Covid-19 refletem o racismo estrutural num país em que grande parte dos negros e pardos não têm acesso à informação e a um sistema de saúde adequado. Os últimos dados levantados pelo Ministério da Saúde, em maio, mostram um número maior de pessoas de cor branca internadas pelo coronavírus

Fonte: Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois)/PUC-RS

No entanto, a mortalidade é maior entre pacientes negros: 54,8% dos internados por Covid-19 morreram, enquanto apenas 45,2% se recuperaram. Entre pacientes de cor branca, a taxa de recuperação foi de 62,8%. Entre negros sem escolaridade, a taxa de mortalidade dos pacientes internados chegou a 71,31%.

Fonte: Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois)/PUC-RS

Os negros também são mais afetados financeiramente. Segundo estudo do Instituto Locomotiva, 71% dos negros do Brasil enfrentam a crise sem qualquer reserva financeira, contra 60% dos brancos. Mais: 49% dos pretos e pardos afirmaram ter deixado de pagar alguma conta durante a crise, enquanto o percentual ficou em 32% entre pessoas brancas.

Compromisso da In Press Oficina contra o racismo

Fonte: Adobe Stock

Vivemos um momento profundo de reflexão. A pandemia que impactou o mundo nos obrigou a parar, olhar para o lado e perceber que há muito a ser feito pelo próximo. A repercussão nacional e internacional envolvendo assassinatos e violências diversas cometidas contra pessoas negras também nos fez olhar para dentro e nos questionar o que temos feito, de fato, para tornar o mundo melhor.

Não é preciso ir muito longe para perceber que aqui, ao nosso lado, o racismo resulta em mortes diárias no nosso país. Os números estão aí para quem quiser ver mas, infelizmente, não são todos que querem enxergar.

Queremos uma sociedade justa, segura e digna para todos, sem espaço para qualquer forma de racismo. Por isso, entendemos que a mudança é urgente. E quem pensar diferente não terá lugar aqui.

Nos últimos dias, percebemos que não faria sentido nos posicionar externamente em prol dessa causa sem antes olhar para dentro, analisar o que precisa ser melhorado e agir para combater o racismo dentro da In Press Oficina. Diante disso, estamos firmando o compromisso institucional para estudar e agir com urgência adotando ações que criem oportunidades reais com respeito e igualdade.

O primeiro passo é a parceria com o instituto Identidades do Brasil (ID_BR), uma organização comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial nas organizações. O segundo é o manifesto “Seja antirracista”, já assinado pelo Grupo In Press e pela In Press Oficina. Ao assinar esse manifesto, nos comprometemos a mapear o número de pessoas negras em cargos de liderança na empresa e definir uma meta de quantos profissionais autodeclarados negros e negras nos comprometeremos a contratar anualmente.

Além disso, faremos um planejamento com ações de educação racial, para conscientizar sobre o racismo, esclarecer o que são comportamentos racistas, e definiremos uma política antirracismo para nossa empresa. Também iremos incluir em nossa agenda uma política interna para garantir a segurança de nossos colaboradores negros a partir de um protocolo para lidar com denúncias de racismo.

Esse será o nosso compromisso. Exigiremos o mesmo comprometimento dos nossos colaboradores. Ser inquieto é, antes de tudo, não ficar calado diante de injustiças. Esperamos que todos da In Press Oficina se eduquem sobre o racismo e apresentem atitudes antirracistas.

Sugestões de leitura

Fonte: www.everylittlebook.com.br/
Fonte: instagram/luanagenot
Fonte: instagram/katukaafricanidades
Fonte: instagram/ninhapreta

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Fonte: CONASS

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