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Cenas da Semana – edição 165ª

por | 14/07/2021 | Notícias

Empresas com liderança feminina têm melhores notas ESG

A junção de mulheres com liderança de empresas tem se refletido em notas maiores em desempenho ESG – práticas ambientais, sociais e de governança. A constatação foi feita pela pesquisadora Monique Cardoso, mestre em Gestão para Competitividade pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ela analisou 98 empresas brasileiras na Arabesque S-Ray, um sistema de classificação usado por investidores do mercado financeiro. Do total, 52% das empresas, com pelo menos uma mulher em cargo de liderança, tiveram notas ESG elevadas. Já nas empresas formadas por diretorias ou conselhos totalmente masculinos, o índice cai para 48%.

A diferença fica mais evidente quando se esmiuça o indicador por item. Na questão ambiental, as empresas com mulheres no comando ganham notas altas em 54% a 40% de companhias apenas com homens. No recorte social, a diferença é de 53% a 42%. Na área de governança há um empate técnico: 48% a 46%.

O estudo constatou que a vantagem está relacionada também à natureza do gênero. Mulheres, mesmo no ambiente de trabalho, evocam os recursos de sensibilidade e maternidade – mesmo que não sejam mães – e têm mais noção de cuidado e visão de futuro. Além disso, se mostram mais dispostas a estudar continuamente.

A conclusão favorece decisões e estimulam providências para estimular resultados que, na prática, se traduzem em mais dinheiro para a empresa.

No mercado financeiro, o Goldman Sachs recusa IPOs – quando as empresas fazem a oferta de ações na bolsa de valores – de empresas sem ao menos uma mulher no conselho de administração.

Com o resultado, nada mais justo aceitar que conceito de “mulheres empoderadas” ganha um reforço e tanto na prática.

Volta ao trabalho presencial ainda é desafio para as empresas

Num momento de reflexão sobre o futuro do trabalho, trabalhadores em todo o mundo resistem a voltar às atividades presenciais, mesmo com a redução gradativa dos casos de Covid-19 e o avanço da vacinação. O debate em torno da permanência do home office ganha novos elementos e alternativas viáveis e contrasta com decisões de grandes companhias do mundo favoráveis ao retorno do modelo anterior à pandemia alegando haver risco ao desempenho e à criatividade.

Cidades como Rio de Janeiro, Ilha da Madeira, Cancun, Bali, Buenos Aires, além de pequenos países do Caribe estão oferecendo serviços atraentes visando os chamados “nômades digitais”. São pessoas que, com a facilidade do trabalho remoto, podem desempenhar seu trabalho de qualquer lugar do mundo. Melbourne, na Austrália, encabeça uma lista das melhores cidades para se trabalhar de casa. O ranking considera critérios como valor do aluguel, segurança, saúde, cultura e atividades de lazer.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que 44% dos trabalhadores desejam ter a opção de seguir no home office por oferecer benefícios como possibilidade não pegar trânsito e conciliar família, lazer e trabalho.

Em sentido contrário, empresas como a gigante Apple e a Morgan Stanley, já anunciaram que esperam o retorno presencial a partir de setembro. Como adaptação, haverá esquema de 2 dias em home office e 3 dias no escritório. Mas a tendência é que a rotina diária volte ao normal a partir de janeiro de 2022.

O cabo de guerra ainda ganhou um componente nos Estados Unidos, ainda sem efeitos claros. O número de pessoas que pediram demissão no país bateu recorde: foram 4 milhões apenas em abril. O fenômeno vem sendo chamado de “Grande Renúncia” e estaria associada a esgotamento do trabalho, vontade de permanecer mais com a família e percepção de não conseguir voltar a trabalhar presencialmente.

O mercado de trabalho pós-pandemia se vê diante de um desafio.

Redes sociais viram propulsor de protestos inéditos em Cuba

As redes sociais despontaram como protagonistas poderosas no inédito protesto contra o governo de Cuba registrados esta semana. Desde dezembro de 2018, cubanos estão liberados para ter acesso à internet na ilha. A democratização digital, porém, apresentou efeitos colaterais contra o governo no poder há quase seis décadas. De lá para cá, influenciadores digitais e opositores ao regime começaram a massificar vídeos apontando mazelas do país caribenho. Com a audiência cada vez mais favorável, nasceu o Movimento San Isidro, um protesto transmitido online em dezembro de 2020.

Era um prenúncio do que estava por vir. A manifestação que tomou conta das ruas de cidades cubanas nasceu na província de Artemisa, em San Antonio de los Baños. Os atos eram transmitidos ao vivo pelo Facebook Live e rapidamente se dissiparam para outras regiões por meio de WhatsApp, Signal, Telegram, Twitter e Instagram.

Não demorou muito para que imagens de manifestantes com bandeiras contra o governo e até cenas de vandalismo ganhassem as manchetes de todo o mundo.

A contribuição do ambiente virtual para os protestos está sendo comparada a “Perestroika”, quando o líder da União Soviética Mikhail Gorbachev permitiu a abertura econômica para impulsionar a inovação no país e acabou contribuindo para a queda do regime socialista.

Com adversários nas ruas, o governo de Miguel Díaz-Canel adotou uma medida extrema: cortou todos os serviços de internet na ilha por tempo indeterminado. A decisão deixou os cubanos sem comunicação e Cuba isolada e em silêncio. Só não se sabe até quando.