Como começou a semana em Brasília

por | 04/05/2020 | Impressões

O clima frio e seco vai ganhando Brasília. Está chegando a época em que o horizonte da capital federal dá verdadeiros shows de pirotecnia. Mas ainda há muita turbulência no céu do Planalto Central que, nem de longe, pode ser chamado de céu de brigadeiro. A política tem sido feita diante de conflitos, acusações e frustrações. A Covid-19 contribui ainda mais para o desgaste. Há, entretanto, alguns lampejos positivos.

Apesar da poeira levantada por manifestações barulhentas no fim de semana, que trouxeram faixas agressivas ao Judiciário e ao Legislativo, a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a PEC do Orçamento de Guerra. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM/RJ), vai pontuando para a mídia o quanto tem trabalhado para garantir que o enfrentamento à Covid una forças na Câmara dos Deputados. Busca, assim, fôlego político e destaque para as próximas eleições.

Maia faz discurso conciliador, defende o retorno da agenda reformista, diz que o diálogo com o ministro Paulo Guedes permanece, e que vai colocar em votação projeto de lei que o obriga a população a usar máscaras. Quer ser propositivo.

Enquanto isso, pesquisas vão sendo feitas por institutos reconhecidos, na tentativa de captar o sentimento do brasileiro depois da demissão do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, com direito a denúncias contra o presidente da República e depoimento de oito horas à Polícia Federal. Há pelo menos dois institutos ligando para ouvir a opinião da população sobre o momento do país.

Alguns flashes:

  • Manifestações contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, apoiadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, no fim de semana, receberam duras críticas da imprensa no dia de hoje. Juristas foram entrevistados para explicar o porquê do sistema de freios e contrapesos (veja nota a seguir).
     
  • A defesa do ex-ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, pediu ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que libere a íntegra do depoimento de mais de oito horas, prestado na Superintendência da Polícia Federal sábado passado (2 de maio).
     
  •  General Walter Braga Netto, ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, disse que agressões contra jornalistas durante manifestações pró-governo são inadmissíveis. “Liberdade de expressão é requisito fundamental e a liberdade de imprensa é prezada como um todo. O que pedimos, exatamente, é que mostrem todos os lados. Qualquer tipo de agressão a jornalistas, isso é opinião minha e do governo, tem de ser apurada. E ela é inadmissível.”
     
  • O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) investigue as agressões a socos e pontapés praticadas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas que faziam a cobertura do ato realizado ontem, na frente do Palácio do Planalto. Segundo Aras, agressões são de “elevada gravidade”.
     
  • O novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, foi nomeado e, menos de uma hora depois, tomou posse em cerimônia fechada no Palácio do Planalto. Vinte minutos depois, segundo o Estadão, ele trocou o comando da superintendência da corporação no Rio de Janeiro.
     
  • Em live com o publicitário Nizan Guanaes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), disse que sempre deixou claro que apoiaria a agenda econômica, mas que não era adepto da agenda de costumes. 
     
  • O Valor destaca aspas de Maia sobre reformas: “Não era impossível a reforma da Previdência? Por que as outras não vão passar? Importante estarmos (os Poderes) unidos depois da crise. Esse sistema tributário não levará o Brasil a lugar nenhum. Esse sistema de administração pública precisa mudar. Depois da pandemia, só há um caminho: começar reforma administrativa e retomar, em junho, a comissão especial da reforma tributária. Acredito que a mesma coisa que a gente conseguiu fazer com a reforma da Previdência a gente consiga fazer com as reformas administrativa e tributária”.

Freios e contrapesos

No portal do Conselho Nacional do Ministério Público: a expressão vem do inglês checks and balances, que significa o sistema em que os Poderes do Estado mutuamente se controlam. Assim: o Legislativo julga o presidente da República e os ministros do Supremo Tribunal Federal nos crimes de responsabilidade; o presidente da República tem o poder de veto aos projetos de lei e o Poder Judiciário pode anular os atos dos demais Poderes em casos de inconstitucionalidade ou de ilegalidade.

Lorenzoni será ouvido pela comissão de acompanhamento do coronavírus

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e os ministros da economia, Paulo Guedes e da Cidadania, Onyx Lorenzoni falam à imprensa no Palácio do Planalto

Depois de Nelson Teich da Saúde e Paulo Guedes da Economia, na quinta-feira (4/5) será a vez do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, falar sobre sobre as ações da pasta para o enfrentamento à Covid-19. 
 
O ministro já confirmou a presença e deve ser questionado sobre os problemas na execução do pagamento e da demora  na aprovação dos cadastros, além da “negação de benefícios sem justificativa aparente para pessoas que, em tese, seriam elegíveis segundo a lei”. As aspas são do requerimento do senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE) para ouvir Lorenzoni. 
 
O senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) e o deputado Reginaldo Lopes (PT/MG), ambos membros da Comissão Mista de acompanhamento das medidas relacionadas ao Coronavírus devem compor o front da oposição e pressionar o ministro durante a reunião por videoconferência.
 
Já o líder do PDT, senador Weverton (MA), adiantou que questionará ao ministro quanto aos descontos do auxílio emergencial as eventuais dívidas que o cliente tenha com instituição financeira.

Braga Netto no controle dos botões

Após a saída de Luiz Henrique Mandetta da chefia do ministério da Saúde, o general Walter Braga Netto, ministro-chefe da Casa Civil, assumiu o comando da pasta, ainda que indiretamente. Segundo fontes do Executivo, Nelson Teich é quem fala pelo ministério, mas, nos bastidores, o núcleo militar está cada vez mais empoderado, com o aval do presidente Jair Bolsonaro.

Além do secretário-executivo, o general de divisão Eduardo Pazuello, indicado por Braga Netto, o secretário de Assuntos Especiais da Presidência, almirante Flavio Rocha, recebeu a incumbência de acompanhar de perto a transição do ministro da Saúde e fazer a interface entre a pasta e o ministro da Casa Civil.

A edição do diário oficial de hoje (4/5) trouxe a exoneração do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, amigo de Teich, mas ligado à gestão de Mandetta.

A nomeação do novo secretário foi assinada por Braga Netto sem a rubrica de Teich, o que pode indicar orientação do ministro da Casa Civil na escolha do comando das secretárias de Saúde. O coronel do exército Antônio Élcio Franco Filho, secretário-executivo adjunto,também foi nomeado na semana passada sem a assinatura do futuro chefe. 

Outras mudanças poderão vir ao longo da semana, como a saída de Wanderson Kleber da Secretaria de Vigilância em Saúde, braço direito de Mandetta na gestão da crise sanitária, e Francisco de Assis da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde.

Arena de Ideias: mulheres contra a Covid-19

Segundo relatório Mulheres no Centro da Luta Contra a Covid-19, da ONU Mulheres, elas tiveram as rotinas completamente afetadas pelo novo coronavírus. E isso aconteceu no mundo todo. Enfrentam jornadas triplas ou quádruplas. Trabalham, cuidam das casas, acompanham de perto a educação dos filhos (mais ainda com as escolas fechadas) e prestam assistência aos idosos da família. 

As profissionais que trabalham na área de Saúde exigem mais atenção ainda. Cuidam diretamente de pacientes contaminados pela Covid-19. São enfermeiras, médicas, auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, psicólogas, que atuam nos hospitais, muitas dentro das UTIs, e depois vão para casa com o receio de levar a doença para a família.

Violência
Há outro lado muito doloroso da Covid-19: o isolamento social tem aumentado os casos de violência e assédio contra as mulheres. Confinadas por causa do coronavírus, muitas não estão denunciando a violência que sofrem porque têm medo de sair de casa e adoecer.

Para debater todos esses temas, Arena de Ideias, o webinar da In Press Oficina, vai receber na próxima quinta-feira, 7 de maio, às 9h30, Adriana Carvalho, gerente regional do Programa Ganha-Ganha da ONU Mulheres Brasil; e a bioquímica e presidente Executiva do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Lídia Abdalla. A sócia-diretora da In Press Oficina fará a ponte com a Comunicação, mostrando como é importante dar voz as mulheres durante a pandemia. 

Todo debate poderá ser assistido no canal do Youtube da In Press Oficina. Inscreva-se no link: http://web.inpressoficina.com.br/webinar-5

Recomendações da ONU Mulheres 

Segundo a Organização das Nações Unidas, as mulheres foram duramente atingidas pela Covid-19. Representam 70% das pessoas que trabalham no setor social e de saúde em todo o mundo e estão na linha de frente.

Muitas mulheres trabalham na economia informal e em empregos com salários mais baixos, tendo menos meios de se ajustar às dificuldades econômicas trazidas pela pandemia de coronavírus.

“Quando as famílias são colocadas sob pressão, a violência doméstica geralmente aumenta, assim como a exploração sexual. A Covid-19 provavelmente está impulsionando tendências semelhantes no momento”, diz o site da ONU Mulheres. Vale anotar as orientações:

  • Compartilhe os cuidados em casa
    Desde cozinhar e limpar, buscar água e lenha ou cuidar de crianças e pessoas idosas, as mulheres realizam três vezes mais tarefas domésticas e trabalho não remunerado do que os homens. Cabe a toda família compartilhar o cuidado: o apoio a crianças por meio de ensino à distância ou a pessoas idosas e vulneráveis, cozinhar, limpar e administrar as famílias.
  • Conheça os fatos da COVID-19
    Obtenha informações de fontes confiáveis e de especialistas. Você pode aprender mais sobre por que o gênero é importante na resposta à Covid-19 e obter informações e análises atualizadas na ONU Mulheres no documento: Igualdade de gênero é importante na resposta do COVID-19. E aprenda mais com as Nações Unidas aqui: https://nacoesunidas.org/tema/coronavirus/
  • Leia, assista, ouça e compartilhe histórias de mulheres
    Aprenda mais sobre feminismo enquanto fica em casa. Encontre programas, podcasts, contas de mídia social e filmes exibidos, escritos ou produzidos por mulheres. Confira a coleção Porque ela assistiu no Netflix. Foi elaborada pela ONU Mulheres para celebrar histórias inspiradoras.
  • Fale sobre a igualdade de gênero com sua família
    Distanciamento social significa que o lar se torna uma escola para muitas famílias em todo o mundo. Adicione feminismo ao currículo. Converse sobre igualdade de gênero com sua família, amigos e amigas – especialmente crianças, meninos e meninas.

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