Como se relacionar com os poderes públicos em época de isolamento social

por | 23/03/2020 | Impressões

A pandemia do coronavírus modifica as relações públicas no mundo todo e tem provocado importantes mudanças nas relações institucionais e governamentais. Expressões como “olho no olho” e “shaking hands” (aperto de mãos) são comuns no dia-a-dia dos profissionais de public affairs. Até duas semanas atrás, embora já buscando a devida distância, muita gente ainda trabalhava no Palácio do Congresso Nacional e nos demais edifícios da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes em Brasília. As regras para evitar contágio deixaram corredores e plenários vazios.

Se para o brasileiro é difícil controlar o impulso de oferecer a mão para um cumprimento ou se afastar para evitar um abraço, mais difícil ainda é para o profissional de relações governamentais, que atua defendendo causas de clientes junto aos poderes públicos. Para muitos deles parece praticamente impossível articular, defender, debater, convencer e, ao mesmo tempo, manter rigorosamente o isolamento social.

O covid-19 vai tirar esses profissionais da zona de conforto e fazê-los avançar, acreditando no Digital. Muitos parlamentares e membros do Executivo estão mais do que prontos para fazer videoconferências formais sempre que julgarem que o tema é relevante para a sociedade, para a economia, para o país. Grande parte dos decisores públicos e seus influenciadores mantém perfis ativos nas redes sociais e são impactados por campanhas de causa realizadas pela web.

Mesmo as autoridades mais tradicionais estão montando agenda especial de telefonemas. Tentam se adaptar ao momento. Fundamental fazer contato formal com assessores para entender o novo rito de cada decisor público.

É hora de ser flexível. Sem poder realizar o famoso corpo-a-corpo nas comissões da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a busca do consenso, a articulação, o fechamento de acordos, a construção e o debate de marcos regulatórios poderão acontecer pela internet. Grande parte dos atores em Brasília estão conectados e habitam essa nova ágora, essa praça pública virtual. E atenção: o novo espaço público ajuda a garantir transparência, exige muita compliance e reforço na segurança cibernética.

Ao trazer as técnicas de comunicação para o cenário das relações governamentais e institucionais, o Public Affairs é solução fundamental para o momento. Com o “cafezinho” do Senado ou da Câmara fechados, é preciso ir além nas estratégias criativas, ser persistente e usar as mensagens-chave corretas para garantir reuniões por telefone, áudio conferência ou videoconferência.

Ganhará espaço nas agendas de videoconferências e afins quem souber vender melhor aos consultores e assessores das autoridades a causa que defenderá na reunião em ambiente virtual.

Há formatos adequados para que grandes empresas, grandes grupos como confederações, sindicatos, organizações não-governamentais ou organismos internacionais possam defender seus interesses perante decisores públicos em Brasília. É possível, por exemplo, fazer a articulação de webinars com horário rigoroso para começar e acabar. O ideal é que tenham, no máximo, uma hora de duração, evitando dispersão ou que as autoridades deixem o link antes do evento acabar.

E atenção! Ser absolutamente formal é muito importante. O resultado, as conclusões e decisões tomadas em qualquer conversa telefônica ou por Whatsapp devem ser formalizados em um e-mail. Mas não basta enviá-lo. Importante saber se o interlocutor e a assessoria receberam o e-mail e solicitar, gentilmente, que confirmem o recebimento e referendem as informações. O ideal é que as reuniões em salas virtuais estejam marcadas na agenda oficial da autoridade, aquela que é divulgada para todos. Bom trabalho! 

Bruxelas na era do telelobbying

Não é só no Brasil que as relações institucionais e governamentais vão mudando.  Na Bélgica, tudo está em transformação também. A revista Politico Europe acaba de publicar reportagem segundo a qual o coronavírus colocou gelo no lobby tradicional de Bruxelas, cidade conhecida pelos jantares regados a vinho. “Bruxelas é um centro de networking”, disse Mette Grolleman, gerente geral do escritório de FleishmanHillard em Bruxelas. “Todos vivemos de networking e confiamos uns nos outros.”

Segundo a revista, o impacto a longo prazo da pandemia no setor de lobby da União Europeia dependerá, em grande medida, de quanto as autoridades em Bruxelas serão capazes de legislar e regular durante um período de bloqueios e desaceleração econômica em toda a Europa. E também dependerá de como os formuladores de políticas estarão dispostos a continuar dialogando com as diferentes partes.

Por enquanto, revela a matéria, reuniões formais e informais estão em espera. Entrou na moda o telelobbying. Ou seja, lobistas tentam manter contato com stakeholders, criar estratégias e promover agendas por meio de telefonemas, videochamadas, webinars, e-mails e mensagens instantâneas.

Para ler a matéria:

https://www.politico.eu/article/brussels-lobbying-goes-digital-because-of-coronavirus/

Redução dos salários de parlamentares

Em entrevista publicada pela Agência Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, foi questionado sobre a possibilidade de redução dos salários dos parlamentares para contribuir no combate ao coronavírus. Resposta: “No momento adequado, todos vão ter que contribuir. É importante que todos os servidores e os que têm mandato contribuam. Não tenho dúvida que isso vai acontecer com a queda da arrecadação, não só exclusivamente os parlamentares”.

Maia afirmou que o governo é livre para utilizar os recursos do Orçamento para o combate à pandemia, como por exemplo o uso do Fundo Eleitoral. Nesta semana, diversos parlamentares apresentaram propostas para destinar R$ 2,035 bilhões para ações de combate à pandemia de coronavírus no Brasil. Conforme a Lei 13.488/17, esse fundo eleitoral prevê dinheiro para custear as campanhas para a sucessão municipal prevista para outubro próximo.

A Frase

“A gente precisa entender o tamanho do nosso problema. Todos os poderes podem dar a sua contribuição. Se é no fundo eleitoral ou partidário que se use, mas precisamos entender que a Saúde precisa de R$ 150 bilhões.”Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

David Uip em quarentena

Semana passada, Impressões citou o infectologista David Uip como um dos influenciadores-chave para o convencimento da população de São Paulo e de outros estados sobre as medidas de prevenção contra o coronavírus. Hoje (23/3), Uip acordou febril e com tosse. Testou positivo para o coronavírus e ficará apoiando as ações do Governo do Estado de São Paulo de casa.

Coronavírus em números


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