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Especialistas analisam impacto da CPI da Covid na reputação e efeitos da repercussão nas redes sociais

por | 27/05/2021 | Notícias

Instalada há cerca de um mês, a CPI da Covid passou a integrar o dia a dia dos brasileiros, transcendeu o lado investigativo e é consumida por muitos como uma espécie de entretenimento. Com uma cobertura ampla dos meios de comunicação e transmissões em tempo real pela internet, a comissão tem gerado uma interação multimídia entre população, políticos e demais envolvidos na cobertura dos trabalhos. “O efeito da CPI da Covid na reputação de pessoas e instituições”, foi o tema do webinar desta quinta-feira, (27/5).

Entre os principais fatores elencados na discussão, que diferenciam esta CPI das demais, estão a velocidade na circulação das informações e a interação popular com parlamentares.

“A velocidade é a grande transformação que observamos nesta CPI. Por isso, você tem que chegar lá pronto, preparado. Você tem que chegar sabendo o que publicou em relação à pandemia. É fundamental que você saiba o que disse e o que fez”, afirmou Ronald Freitas, jornalista e head de Relacionamento com o Poder Público da In Press Oficina.

A velocidade e o volume das informações são fundamentais para a reputação dos envolvidos, seja de caráter positivo ou negativo. Nas redes sociais, os depoimentos resultaram em uma avalanche de publicações. Só na última semana, foram mais de 14 milhões de interações no Instagram, 12 milhões no Facebook e 32 milhões de impressões no Twitter. Os dados foram apresentados por Fabio Malini, professor do Departamento de Comunicação na Universidade Federal do Espírito Santo, pesquisador em ciência de dados, política e redes sociais que participou do Arena.

Para Malini, o volume de postagens representa uma espécie de acerto de contas da população com os responsáveis pelos erros na condução da pandemia. O pesquisador ressalta, entretanto, que é preciso se atentar para a forma como a comissão está sendo acompanhada, como está sendo feita a divulgação e o impacto disso na continuidade dos trabalhos.

“A bolha em torno da CPI da Covid também é institucional. O problema do entretenimento com a investigação faz com que a informação acabe se tornando um material com um outro tipo de utilização. Então, se as pessoas se divertem com a CPI e isso faz com que o tema se espalhe mais e fure as bolhas, essa diversão vai ter um custo do ponto de vista da seriedade em relação ao que vai ser concluído na CPI”.

Patrícia Marins, sócia-diretora da In Press Oficina, reforçou que a reputação não se limita apenas ao momento dos depoimentos televisionados, mas leva em conta toda trajetória reputacional do personagem.

“Continuo acreditando que ser autêntico, dizer a verdade, analisar contexto e ter disposição para falar são ingredientes fundamentais para uma reputação crível e permanente. Reputação é sobrenome. Entender que reputação é um ativo intangível e de longo prazo faz toda a diferença para quem tiver que sentar na cadeira de uma CPI”.

Cancelamento

Além dos resultados institucionais provocados ao final da CPI, outra consequência a ser considerada é o cancelamento. A repercussão das falas na opinião pública pode repercutir na vida dos que foram considerados culpados pela população.
Fabio Malini destacou que esta consequência pode extrapolar o âmbito digital e refletir na vida fora das telas. “O cancelamento implica num outro elemento, que é offline, e não só o elemento online, que é de certa maneira controlado. O que acontece com os cancelados é que eles viverão uma vida de pânico por muito tempo”, afirmou o pesquisador.

Bolhas comunicacionais

Com a polarização na CPI, uma das estratégias utilizadas pelos participantes é a comunicação para o seu público, as chamadas “bolhas comunicacionais”. Os envolvidos utilizam recortes dos assuntos para que sua versão do tema seja reforçada e validada pela opinião pública.

“É o primeiro debate no qual estamos usando a pós-verdade. Cada um, dentro do fenómeno da pós-verdade, criou uma realidade própria que é passada para sua respectiva bolha para que seja repercutida essa verdade”, afirmou Patrícia Marins.

 

E-book

A In Press Oficina elaborou um e-book com protocolos de comunicação eficiente para uma CPI. O conteúdo contém dicas para preservar a reputação e evitar crises de imagem, principalmente em uma CPI. O arquivo também traz informações sobre a repercussão da comissão nas redes sociais.

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