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Impressões: CPI da Covid-19

por | 07/05/2021 | Impressões, Notícias

Governo x Oposição

O ortopedista baiano Otto Alencar, senador pelo PSD, esteve positivo e mais do que operante nos primeiros depoimentos da CPI da Pandemia. Na quinta-feira (6/5), travou pingue-pongue pesado com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Na hora do almoço, quase 14h, quando o ministro já devia estar cansado, Otto tentou arrancar a opinião contrária de Queiroga quanto à hidroxicloroquina. Fez isso a todo custo, chegando a apelar: “Logo o senhor que fez o juramento de Hipócrates…” Em resposta às provocações, Queiroga deixou claro que não estava ali representado a SBC, mas como ministro da Saúde.

Entender os papeis de cada membro de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é fundamental para projetar os rumos que o colegiado deve tomar e o tom do relatório final. Esta semana, durante os depoimentos dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, bem como durante a arguição do ministro Marcela Queiroga, foi possível entender os movimentos dos governistas e a atuação do Executivo para controlar a crise.

Na terça-feira (4/5), durante o depoimento de Mandetta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) lhe dirigiu uma pergunta enviada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN). Foi o próprio Mandetta quem reconheceu o texto que Faria lhe enviara na véspera e, ao perceber o engano, apagara. CPI é um palco. Com a bola no pé, Mandetta chutou! Não perdeu a chance de deixar claro o que percebia e ironizou, dizendo que responderia ao senador e ao seu ex-colega de Câmara dos Deputados.

Atenção e disposição

CPIs costumam ser momentos de grande tensão para qualquer governo, que tem todo o direito de se defender preparando porta-vozes, reunindo documentos, preparando explicações, tentando se antecipar aos questionamentos que lhe serão dirigidos para respondê-los da forma mais convincente.

É legítimo que procurem a melhor forma de defesa, que deem a explicação mais completa ou desmintam da forma mais convincente as acusações. Essas medidas sempre foram a regra e não seria diferente desta vez.

Já quem é convocado a depor tem de permanecer 100% do tempo concentrado. A CPI da Pandemia, a exemplo de tantas outras, tem tido sessões longas em que os senadores podem sair da sala a qualquer momento, mas o convidado acaba ficando desconfortável até para pedir para ir ao banheiro – o depoimento do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta durou oito horas. O desgaste é inevitável, o que exige disciplina e atenção principalmente de quem está sendo ouvido.

O que ministros disseram à CPI da Pandemia

“Eu tinha dificuldade nas relações com a China. Eu tinha um Ministério das Relações Exteriores que não era útil. Eduardo (Bolsonaro) tinha rotas de colisão com a China através do Twitter, um mal-estar. (…) No Palácio do Planalto estavam todos os filhos do presidente e assessores de comunicação, pedi uma reunião com o embaixador da China e eles negaram: ‘aqui não’”. – Ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, em 4 de maio de 2021.

“O pedido (de demissão) foi pelo desejo de ampliação do uso da cloroquina. Quero colocar que esse era um problema pontual, mas refletia uma falta de autonomia e falta de liderança”. – Ex-ministro Nelson Teich, em 5 de maio de 2021, sobre as razões de ter pedido para sair após 29 dias no cargo.

“A solução é a campanha de vacinação”.

“Temos que investir em medidas não farmacológicas, como o uso das máscaras, políticas de testagem e fortalecer o nosso sistema de saúde para que seja capaz de atender os casos mais graves”. – Atual ministro Marcelo Queiroga, em 6 de maio de 2021.

Sempre alerta

Os números da pandemia deram sinais de declínio na semana que termina, mas estão longe de trazer tranquilidade para os brasileiros. Com base nesses indicadores, nenhuma grande consultoria empresarial acredita que o país estará livre da Covid em 2021. As novas variantes do coronavírus, os desafios da vacinação, as diferentes posturas dos governos federal, estaduais e municipais são alguns dos fatores destacados nessas análises. Mas o que tem chamado a atenção dos analistas é a mudança do perfil dos doentes.

Com a vacinação dos mais velhos, o coronavírus tem feito milhares de vítimas entre a população economicamente ativa, com menos de 60 anos, que tem levado a um aumento de cerca de 20% nos gastos das empresas. Dados da Fiocruz mostram o aumento no número de casos de 642% entre as chamadas “semanas epidemiológicas” 1, de 3 a 9 de janeiro de 2020, e 14, de 4 a 10 de abril. Mas quando se faz essa conta por faixa etária, os números são ainda mais impressionantes.

O crescimento da doença chegou a 1.103% entre os brasileiros de 30 a 39 anos e a 1.173% entre quem tem de 40 a 49 anos. De 50 a 59 anos, o número de casos aumentou 1.082%). A ocupação de leitos de UTI por adultos infectados é outro indicador dessa mudança de perfil: Na primeira semana epidemiológica de 2021, o percentual de pacientes com menos de 70 anos nas UTIs Covid foi de 52,74%. Na 14ª subiu 72,11%.

Renda em queda

Outra grande preocupação dos consultores é o rápido empobrecimento da população, com desemprego de 14%, redução salarial e uma inflação estimada em 6% para este ano. Os mais pessimistas acreditam que o IPCA, o índice oficial de inflação, pode chegar a 8% no começo do segundo semestre na conta anualizada.

O BEm, programa federal de manutenção de emprego implementado em 2020 e reeditado na semana passada com validade pelos próximos quatro meses, deve evitar novas demissões, mas não a queda na renda – sobre uma base já reduzida. O que entrou no radar das empresas de consultoria foi o risco de desestruturação social.

E agora, Juliette?

Ganhar o BBB não foi fácil. Mas difícil para a advogada e maquiadora Juliette Freire vai ser manter o apoio dos 25 milhões de seguidores que conquistou nos 100 dias de confinamento. “O desafio não é ter pico, é manter-se no pico com debate e conteúdo de qualidade”, afirma o cientista político Felipe Nunes, doutor em ciência política e mestre em estatística pela Universidade da California Los Angeles (UCLA) e criador do Índice de Popularidade Digital (IDP).

Para Nunes, que faz campanhas políticas, tem empresas e artistas entres seus clientes e monitorou as redes sociais de “sisters” e “brothers” nos últimos quatro meses para medir suas chances de permanência ou saída da casa, esse desafio é o mesmo para políticos, atores, cantores ou ex-BBBs. Na sua avaliação, o principal ativo de Juliette é a autenticidade. “Ela tem de entrar no mercado de opinião, sem maquiagem, sem produção. Tem de ter monitoramento, informação e, a partir disso, se posicionar”, diz.

Assim como Juliette, a vice-campeã, Camilla de Lucas, e o semifinalista Gilberto Nogueira, o Gildo Vigor, são os outros fenômenos do BBB 21. “Para vender produtos, eles não podem se deslocar do lugar de fala. Não pode ser só publicidade, é preciso posicionamento. Os sofrimentos deles têm de ser transformar em conteúdo”, diz.

Numa era distante, em que as redes sociais e as questões de gênero e raça engatinhavam, a Rede Globo começou a produzir o BBB. Agora, as duas primeiras edições do programa, levadas ao ar em 2001, serão reexibidas na íntegra.

Por comparação com a edição que chegou ao fim esta semana, quem assistir vai poder observar os avanços e recuos da sociedade brasileira nos últimos 20 anos. Os programas serão exibidos a partir de 11 de maio (de segunda a sábado, às 19h30, e nos domingos, às 23h45), no canal Viva, ou a qualquer momento no Globoplay.