O papel e a força da mulher no enfrentamento da pandemia

por | 07/05/2020 | Arena de Ideias

O distanciamento social causado pela pandemia da Covid-19 virou de cabeça para baixo a rotina de milhões de pessoas em todo mundo. No cenário atual, inimaginável há poucos meses, as mulheres enfrentam desafios diários para conciliar as diversas jornadas, como o trabalho e a educação dos filhos com a nova realidade das famílias, isoladas dentro de casa. Para entender os desafios e os impactos negativos, como o aumento de casos de violência contra mulheres na crise, e propor ações para garantir que as conquistas das mulheres não sofram retrocesso, a In Press Oficina, promoveu no dia 7 de maio, a 5ª edição do webinar Arena de Ideias, com o tema: “O papel das mulheres no enfrentamento da Covid-19”.

O debate reuniu mulheres que ocupam posições de destaque e de liderança no âmbito profissional e que, ao mesmo tempo, têm empatia e atenção com o convívio familiar e a vida pessoal, como a presidente-executiva do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Lídia Abdalla, a representante da ONU Mulheres Brasil, Adriana Carvalho e a jornalista e sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins.

Dados do relatório da ONU Mulheres Brasil demonstram o papel decisivo das mulheres no enfrentamento da crise sanitária

Dados do relatório da ONU Mulheres Brasil mostram também os entraves enfrentados. A força de trabalho na área de saúde no país é 70% composta por mulheres, que correm riscos para salvar vidas. Atualmente, 40% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres que, com o isolamento e escolas fechadas, precisam ficar em casa com os filhos e não podem trabalhar. Além disso, o documento revela outra questão urgente – o aumento de 30% dos casos de violência doméstica durante o período de distanciamento social.      

A sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, explica que a comunicação pode contribuir neste momento ao dar voz para as mulheres no enfrentamento dos problemas causados ou intensificados pela pandemia, como a questão dos abusos domésticos, além de divulgar o esforço e contribuição das mulheres tanto no âmbito familiar, quanto profissional para a sociedade. 

“A comunicação tem o grande desafio de colocar, de fato, o papel da mulher no centro da discussão social. Tanto em relação ao aumento da divulgação da contribuição da mulher em resposta à Covid-19, quanto para reforçar a importância da mulher na sociedade e garantir que as conquistas dos últimos anos não caiam no esquecimento durante a crise. Assim, a comunicação pode contribuir para que não haja um retrocesso e ser decisiva para a construção de um legado”, defende.

O papel e a força da mulher

Patrícia Marins lembra que questões como o empoderamento feminino, saúde física e mental das colaboradoras e preocupação com temas sensíveis à realidade das mulheres, como a violência, já são bandeiras trabalhadas na In Press Oficina, que conta quase 70% de mulheres no seu quadro funcional e tem seu corpo diretivo totalmente formado por mulheres.

A representante da ONU Mulheres Brasil, Adriana Carvalho defende o envolvimento da sociedade como um todo na questão do aumento da violência durante o período de isolamento, tanto empresas privadas como as diferentes esferas de Governo.

“O problema da violência doméstica é complexo e vai além das denúncias. Envolve uma série de respostas integradas. Além da questão física, é preciso assegurar a situação econômica da mulher, o resgate dos filhos e os efeitos psicológicos danosos. Como a crise pode perdurar por meses, é urgente que possamos revisitar como podemos protegê-las e dar respostas integradas, respeitando o isolamento”, pondera.

Durante o webinar, a presidente-executiva do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Lídia Abdalla destacou que a crise atual pode ser uma oportunidade para as mulheres mostrarem, mais uma vez, a capacidade de conduzir empresas e órgãos públicos diante dessa crise sanitária e econômica.

“Apesar do momento de incerteza e medo, as mulheres têm capacidade de liderar e tomar decisões com firmeza e sensibilidade, pois tem a força do instinto feminino, materno e a resiliência necessária. A empresa que entender que a riqueza está na pluralidade, não apenas de gênero, verá a diferença no momento da retomada”, afirma.

A bioquímica também chamou a atenção para que o cuidado com a saúde das mulheres não se restrinja apenas para a contaminação da Covid-19, mas se estenda para outras doenças que afetam as mulheres e tem índice de mortalidade ainda maior, como as cardiovasculares.

“É importante não deixar de realizar exames preventivos para evitar outras doenças, como câncer de mama e colo de útero. As pessoas estão com medo de ir ao médico e deixam para ir ao hospital na última hora. É preciso estar atento à saúde como um todo, não apenas em relação à Covid-19”, ressalta Lídia. 

A jornalista Patrícia Marins complementa que a informação assertiva pode ser usada como é arma para combater, não apenas a desigualdade do papel da mulher na sociedade, mas também contribuir para conter a proliferação do vírus.

“Atualmente, o jogo da desinformação é muito grande. É papel de qualquer representante da sociedade civil a propagação da informação correta. Importante que as mulheres utilizem suas redes para ampliar essa comunicação. As informações compartilhadas, de fontes confiáveis, salvam vidas.”

Assista na íntegra a 5ª edição do webinar Arena de Ideias

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