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O terceiro turno das eleições

por | 04/12/2020 | Impressões

Foto: Agência Brasil

Chegamos ao fim da semana, mas as atividades em Brasília seguem fervilhando. Em um dia atípico para sessão no Supremo Tribunal Federal, ministros poderão interferir no destino dos presidentes do Congresso Nacional, além de sacudir os planos do presidente Jair Bolsonaro para os dois próximos anos.

A Corte começou a analisar a Ação Direta de Inconstitucionalidade de autoria do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) que pede a “interpretação conforme” ao artigo 57 da Constituição Federal. Na prática, os ministros decidirão se o Poder Legislativo poderá alterar seus próprios regimentos internos, sobrepondo ao Artigo 57 que veda “a recondução para o mesmo cargo, na eleição imediatamente subsequente”. Ou seja, pelo texto, é impossível alguém presidir a Câmara ou o Senado mais de uma vez seguida, caso de Rodrigo Maia (DEM/RJ) e Davi Alcolumbre (DEM/AP).

Três dos onze ministros já votaram à favor da possibilidade de reeleição, o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, e os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Já o ministro Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, votou a favor apenas da recondução de Alcolumbre, mas não a de Maia. A votação acontece no plenário virtual, sistema em que não há debate nem encontro entre os ministros e os votos são por escrito. Os outros sete ministros da Corte têm até o dia 11 de dezembro para votar.

Se o STF confirmar a autonomia do Poder Legislativo, cada Casa teria de alterar o seu regimento interno, o que não será uma tarefa fácil para o presidente da Câmara. Onze partidos já marcaram oposição a possibilidade de recondução e caso os planos de reeleição não se concretize, Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), Marcos Pereira (Republicanos/SP), Baleia Rossi (MDB/SP), Marcelo Ramos (PL/AM), Elmar Nascimento (DEM/BA) e Luciano Bivar (PSL/PE) aguardam a indicação do atual presidente como o nome que dará continuidade à agenda reformista que marcou a gestão Maia.

Primeiro passo: reconhecer o preconceito

Foto: Arquivo pessoal

Reconhecer o preconceito e a discriminação é o primeiro passo na trilha de uma liderança transformadora. Essa avaliação foi feita pela jornalista Ana Cristina Rosa,  assessora-chefe de Comunicação Social e de Cerimonial do Conselho da Justiça Federal, colunista de Opinião da Folha de S.Paulo e uma das convidadas do webinar Arena de Ideias sobre “O papel dos líderes para combater os preconceitos”.

Liderança transformadora e combate ao preconceito. Por onde a gente tem de começar?

Ana Cristina – Tem de começar pelo princípio, ou seja, por reconhecer que há preconceito e discriminação. E que eles se manifestam de várias formas e em vários âmbitos, relacionados a questões de gênero, raça, idade, classe social, entre outras. O segundo passo é enfrentar o problema no sentido de reconstituir o relacionamento em outras bases, ancorado no respeito à diversidade, sem escamotear o problema. Além disso, o exemplo é muito importante. E nesse sentido as lideranças podem desempenhar um papel transformador.

Kamala Harris tem um significado enorme em termos de representatividade. Você inclusive escreveu um artigo na Folha, após a vitória da chapa Biden/Harris. Fale, por gentileza, sobre as mulheres negras em posição de liderança. Quais são os obstáculos e expectativas?

Ana Cristina – Sim, de fato é uma enormidade o que a presença de Kamala Harris, uma mulher negra de ascendência asiática eleita para a vice-presidência de uma das nações mais poderosas do mundo, representa em termos de representatividade e também de esperança. Esperança de que é possível ser mulher, mulher negra, e chegar à Casa Branca, chegar ao poder. Quanto a obstáculos, infelizmente eles são muitos. A começar pela constância de olhares e manifestações de surpresa ou, muitas vezes, de dúvida relacionada à capacidade. Em pleno final de 2020, a presença de uma mulher negra em posição de liderança ainda causa espanto em muitas pessoas. Além disso, mulheres negras em posição de liderança carregam o peso de não poder errar, contrariando uma característica humana. E isso representa um peso muito grande.            

Quais projetos/ações de combate ao preconceito você tem realizado na organização em que você atua como chefe?

Ana Cristina – Estou ocupando uma posição de liderança no Conselho da Justiça Federal há três meses. Nesse curto período de tempo, tive a oportunidade de desenvolver uma ação singela, porém bastante significativa para as redes e a intranet do CJF, que foi a realização de uma ação no dia da Consciência Negra. Essa foi a primeira vez, segundo me informaram, que algum registro sobre o 20 de Novembro foi feito pelo Conselho. E a ação, que foi planejada com antecedência, acabou ganhando ainda mais relevância e significado por tragicamente coincidir com a notícia do assassinato de um homem negro do Carrefour, em Porto Alegre. Além disso, eu integro o grupo de trabalho criado pela presidência do Conselho para sugerir políticas de igualdade racial. 

Redes sociais, marcas e veículos de comunicação têm discutido e denunciado cada vez mais casos de preconceito.  Você acredita que a discussão pública reflete um maior preparo dos gestores e líderes para lidar com o assunto?

Ana Cristina – Sem dúvida as redes sociais potencializaram e expuseram denúncias de casos de preconceito e de racismo. Mas isso me parece mais fruto da autonomia proporcionada pela desintermediação criada pela internet somada à facilidade de gravar tudo pelo celular e postar a qualquer tempo, em tempo real, do que qualquer outra coisa. De uma forma geral, acredito que isso não se relaciona com um maior grau de preparo dos gestores e líderes para tratar do assunto. Ao contrário. Entendo que a maioria dos gestores não está preparada para lidar com essa questão. Há inúmeros exemplos que corroboram essa avaliação. Não basta ter um discurso bonito, fazer planejamento estratégico, utilizar KPI, Matriz Swot, Matriz Gut, Matriz BCG e tantas outras ferramentas de gestão disponíveis se não respeitar as pessoas, se não promover a diversidade, se não realizar treinamento adequado, se não colocar em prática o que pode ter sido posto no papel.

Ferramenta mensura “ausência de preconceito”

Foto: Arquivo pessoal

Onde está o meu preconceito? A coach especializada em formação de líderes Diva Gonçalves contou, no Arena de Ideias, que tem sentido as pessoas se questionando mais sobre esse tema neste ano. Ela trabalha com uma ferramenta de análise de perfil comportamental e de talentos cognitivos que mensura cientificamente 78 itens, entre eles a ausência de preconceito.

Segundo Diva, a ferramenta construída com base na metodologia da axiologia formal apresenta resultado matemático, sem influência de pré-julgamentos, sobre o “quanto cada um de nós não permite que classe, raça, sexo, etnia e filosofia das pessoas causem prejuízos em nossas intenções e atitudes”.

Uma nota de padrão alto é interpretada como clareza de ausência de preconceito, enquanto uma nota baixa indica haver algumas coisas a serem questionadas e uma necessidade maior de auto-conhecimento. “Quando você se confronta com as suas verdades, você enfrenta melhor os dilemas corporativos, humanos e da nossa sociedade”, explica Diva.

Sankofa: volte e pegue! O empoderamento de conhecer as origens da própria história.

Foto: FBL Criação e Produção.

Hoje o Impressões indica a série documental “Sankofa: A África que Te Habita” disponível na Netflix, produzida pela FBL Criação e Produção. A obra retrata as multifaces das origens da diversidade dos povos negros que carregamos no DNA,  ancestralidade contada a partir da história de nove países/cidades do continente africano: Guiné (Cabo Verde, Guiné-Bissau e Senegal), Mina (Gana, Togo, Benim e Nigéria), Angola e Moçambique. 

Narrada de maneira genuína pelo fotógrafo César Fraga e pelo escritor e  professor doutor de História (UERJ) Maurício Barros de Castro que, além de contar os bastidores da ideação do projeto, da busca por patrocínio e das dificuldades logísticas e surpresas, apresentam as rotas percorridas na época do tráfico mundial de humanos escravizados na África (1530-1888), as belezas e característica dos povos existentes. Mostram também como a gastronomia, dança, música, religião, língua, bem como o papel da mulher negra, atravessaram o oceano e germinaram no Brasil. 

A 1ª temporada com dez episódios conta com a participação da atriz e cantora Zezé Mota que narra contos africanos. Colaboram  ainda com a narrativa historiadores, africanistas, antropólogos, arquitetos, linguistas, escritores, artistas e agentes sociais, possibilitando uma viagem através da história pouco retratada nos livros escolares e quase nunca falada. 

Ficha Técnica:
10 episódios de 26 minutos
Produção Brasileira Independente para Espaço Qualificado
Produção: FBL Criação e Produção
Direção Geral: Rozane Braga
Direção Artística: Adriana Miranda
Roteiro: Zil Ribas
Fotos: Cesar Fraga
Trilha Sonora e Direção Musical: Mauricio Pacheco
Narração dos Contos Africanos: Zezé Motta
Direção Executiva: Nelson Breve
Direção de Produção: Penha Ramos

Reflexão

Arte: In Press Oficina

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