Sem propósito, a empresa morre

por | 14/04/2020 | Arena de Ideias, Notícias

Um grande diálogo sobre neurociência, propósito e posicionamento de marcas durante a crise do coronavírus. Essa foi a proposta de hoje (14/04) da Arena de Ideias, webinar que reuniu, às 10h30, o CEO da Forebrain, Billy Nascimento; a diretora global de Marketing da Alpargatas, Fefa Romano; e a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins. O trio recordou do evento SXSW de três anos atrás, quando um CEO criou polêmica ao dizer que as marcas que não tivessem propósito morreriam em cinco anos. Pois a chegada do coronavírus mostrou que a tendência se concretizou.

Logo de início, Fefa relatou como a Alpargatas, que comemorou 113 anos semana passada em meio à crise da Covid-19, tomou uma atitude muito firme socialmente, trabalhando com as marcas Havaianas, Mizuno e Osklen. “O nosso mantra, quase que um grito de guerra, tem sido “proteger a saúde das pessoas e a saúde do negócio”.

“Infodemia”

Billy destacou que, para além da pandemia, há uma verdadeira “infodemia”, que faz com que as pessoas fiquem ansiosas com um grande volume de informações que chegam e ainda sem respostas definitivas. Citou ainda outra narrativa, a da economia, que começa a fazer com que as pessoas se preocupem em como sobreviverão. “Num primeiro momento, as pessoas dizem: vou defender minha saúde, minha vida, minha família. Começa a corrida ao supermercado. Com o tempo, isso vai se transformando pela necessidade de compreender o que está acontecendo.” Para o neurocientista, é nesse momento que as marcas devem evitar dois polos distintos: o da omissão e o do oportunismo. Ele sugere partir para o protagonismo.

O propósito de uma empresa

Os três especialistas concordaram que, se uma empresa não tem muito claro, muito bem definido, qual o seu propósito, corre o risco de não conseguir agir rapidamente em momento de crise para corrigir o rumo da sua história e ser humana ao mesmo tempo.

“É possível e é muito necessário fazer negócio resolvendo problemas sociais. Antes de sermos empresários ou comunicadores, temos um propósito como cidadãos que é o de salvar vidas”, disse Patrícia.

Um dos internautas que participou da Arena de Ideias enviando perguntas propôs: “se o pequeno empresário pudesse investir somente em uma ação de marketing nestes períodos de COVID-19, qual seria essa aposta?”. Fefa respondeu que iria pelo produto ou serviço prestado pela pequena empresa que, aliás, se precisar mudar o negócio tem maior velocidade e agilidade para fazê-lo do que uma grande empresa.

“A primeira pergunta que eu faria é se seu produto faz sentido? Tem lugar pra ele agora? Você aguenta esse momento que não tem prazo de validade com esse produto que você oferece? Se não aguentar, mude de produto ou serviço. Em seguida pensaria com muita calma se a empresa tem razão de existir porque, se propósito é importante para uma grande empresa, é muito mais importante para uma pequena.”

Outro ângulo

Seja pequena ou seja grande a empresa precisa que ter transparência e ser verdadeira. É o que diz Billy Nascimento: “A união em torno de alguma coisa só acontece quando é uma verdade. Se a empresa é pequena e acabou com o caixa, não adianta inventar coisa”. Para Billy, que trabalha com neurociência e consumo, o empresário tem de ser transparente, dizer como está o caixa e, com isso, construir uma relação de trabalho com participação de fato, criativa, inventiva. “No momento de desespero, a verdade é a bússola para sair do caos”, enfatizou.

O exemplo da Alpargatas

Primeiro a empresa voltou-se completamente para a segurança de seus 18 mil colaboradores. Em segundo lugar, a empresa, que está no mundo todo, teve que entender como proteger o negócio, sabendo que mantém equipes em diferentes países, os quais vivem estágios diferentes de combate à pandemia, mas que, ao mesmo tempo, seu parque fabril está no Brasil. “Tivemos que tomar atitudes radicais”, afirmou Fefa.

Depois de cuidar da saúde das pessoas e do negócio, a Alpargatas decidiu como trabalharia pela sociedade. Além de apoiar as comunidades que vivem perto das fábricas, a empresa iniciou, semana passada, uma mobilização enorme em que colaboradores e outras pessoas físicas podem compartilhar e fazer as doações para as comunidades. A Alpargatas também está apoiando moradores de cinco favelas com a doação de cem mil kits que incluem Havaianas, sabonete, um produto de limpeza e um gênero alimentício.

Um dos parques fabris está produzindo 18 mil calçados adequados para profissionais da Saúde e está costurando máscaras e jalecos. Tudo será doado a hospitais. “É vital manter o foco no urgente, no premente. Mas, ser responsável, ser solidário, ser prudente, ser acolhedor é essencial. Importante conseguir preservar o negócio, mas, antes, é preciso preservar vidas humanas”, afirmou Patrícia.

Enxergar além

Enxergar além, com a sensibilidade do empresário, do comunicador, é dica fundamental deixada em nossa Arena de Ideias. Tentar descobrir o que não está vendo no meio da confusão, o que não está enxergando e que pode aumentar o conforto e o bem do funcionário, o que não está enxergando no mercado e a concorrência também ainda não viu. “Na crise, crie. Use o c de crise para criar”, finalizou Patrícia Marins.

Propósito, Neurociência e Consumo – assista na íntegra:

Perdeu nosso último webinar sobre o papel da Comunicação em tempos de pandemia? Assista aqui