TikTok, Guerra Fria, Brasil e escadas rolantes

por | 07/08/2020 | Impressões

Foto: Reprodução Tik Tok

Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu como alvo dentro da Guerra Fria com a China o aplicativo TikTok. Criado pela empresa chinesa de tecnologia Bytedance, o TikTok possui uma base de mais de 800 milhões de usuários e acabou sendo trazido para o centro da disputa entre as duas potências mundiais.

Trump acusa a Bytedance de espionar cidadãos americanos para Pequim e assinou um decreto que proibirá em 45 dias qualquer transação com a empresa. A Bytedance, por sua vez, afirma que o presidente norte-americano não tem qualquer evidência de suas acusações, afirmando ser alvo de ataques políticos.

Com a situação, milhares de produtores de conteúdo estão desesperados e buscando soluções para manter a base de seguidores. A grande esperança é que o acordo com a Microsoft para aquisição das operações globais do TikTok seja concretizado e o aplicativo possa seguir operando no país.

E o Brasil?
Na segunda-feira (3/8), o deputado federal Eduardo Bolsonaro defendeu o bloqueio da rede social por “questões de segurança”. A defesa foi seguida por diversos vídeos do influencer bolsonarista, Bernardo Küster.

Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Bosco Costa (PL/SE) apresentou o PL 4120/20, disciplinando o uso de algoritmos pelas plataformas digitais na internet. A proposta, que mira em inteligência artificial, acerta também em redes sociais como o TikTok.

Ainda que o TikTok não tenha oferecido qualquer ameaça ao país, é comum eventos externos gerem um efeito bandwagon na política nacional. Isto é, políticos e outros decisores públicos se inspiram em outros países e buscam achar soluções para problemas que ainda não existem ou nem chegarão a existir. 

Foi o que aconteceu em 2015, quando um vídeo viral de uma mulher caindo de uma escada rolante que desabou na China gerou projetos de lei em todas as câmaras municipais e assembleias legislativas do Brasil, além do próprio Congresso Nacional.

Ou seja, mesmo que o problema seja nos Estados Unidos, as plataformas digitais também podem esperar bastante dor de cabeça por aqui. 

Peças se movimentam no tabuleiro para 2022, mas xeque-mate ainda está distante

Foto: Sérgio Lima | Poder 360

Com as eleições municipais mais próximas e as negociações políticas se intensificando, chamam a atenção as movimentações por outro pleito: as eleições presidenciais de 2022. Enquanto parlamentares e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda discutem sob quais condições a votação será realizada, as peças já se movimentam para a disputa pela faixa presidencial daqui dois anos.

No último mês, o presidente Jair Bolsonaro tem participado de diversos eventos públicos, muitas vezes em cidades dominadas por rivais políticos, buscando levar consigo um grande número de apoiadores. Nos eventos, segue a mesma rotina: fica próximo à base, conversa com eles sobre os mais variados assuntos e, enquanto isso, repete poses que o consagraram ao longo da campanha em 2018.

Por outro lado, se era esperado que a pandemia enfraquecesse o presidente da República, a crise acabou debilitando dois dos principais opositores e potenciais concorrentes. Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, enfrenta a pior crise de seu governo, que inclui um processo de impeachment na Assembleia Legislativa. Já o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), viu um dos principais aliados do governo, o secretário de Transportes Alexandre Baldy, ser preso pela Polícia Federal.

Segundo pesquisa do PoderData divulgada ontem (6/8), Bolsonaro aparece como líder isolado nas pesquisas de intenções de voto. Haddad (PT), em segundo, ilustra que o debate político segue polarizado e que nenhuma terceira via conquistou o eleitorado.

A dois anos das eleições, o cenário começa a se desenhar. Novos players, como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, começam a despontar e podem mudar o jogo. O nome de Mandetta agrada à cúpula do DEM, que vê nele e no atual presidente do partido, ACM Neto, potenciais candidatos. 

O fator Sérgio Moro e os ataques à Lava Jato
O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro também desponta como um ator capaz de mudar o jogo. Na pesquisa PoderData, Moro aparece em 3º lugar, à frente de Ciro Gomes (PDT), Dória e Mandetta.

Enxergando este fator, bolsonaristas passaram a mirar na Lava Jato, grande trunfo de Moro. Em entrevista ao Jornal O Globo, o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro, declarou: “embora ache que a Lava Jato não seja esse corpo homogêneo, considero que algumas pessoas ali têm interesse político ou financeiro”.

Leitura do fim de semana

Foto: Editora Cobogó

Termos que são repetidos com frequência, principalmente desde as eleições de 2018, fake news e pós-verdade são fenômenos que criaram um novo cenário para a era das redes sociais. Se antes essas ferramentas tecnológicas significavam democratização da informação e empoderamento de minorias, hoje são terreno para disseminação de mentiras e narrativas que colocam a prova a noção de verdade e confiança.

Mas se notícias falsas sempre existiram, o que faz com que fake news se tornem centro de tantos debates e preocupações? A velocidade de propagação desse tipo de conteúdo e o espaço para novos atores criarem conteúdos falsos com grande alcance são vistos como ameaça para a democracia tal qual a conhecemos.

Os ensaios e entrevistas que compõem o livro “Pós-verdade e fake news — reflexões sobre a guerra de narrativas” são quase um manual para compreendermos o que motiva e as possíveis consequências da indústria de notícias falsas e reforçam que apenas dotados desse conhecimento poderemos sair dessa crise que afeta tantas instituições.

A reflexão

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Arte: In Press Oficina | Fonte: Conass

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