Transformação no papel dos pais nas relações familiares e a nova realidade imposta pela pandemia

por | 23/08/2020 | Arena de Ideias, Notícias

A pandemia do coronavírus mudou a dinâmica das relações familiares e aproximou a vida pessoal da profissional. Nos últimos cinco meses foram muitas dificuldades, aprendizados e desafios. Nesse sentido, a transformação dos pais nesse novo cenário e as perspectivas para o futuro pós-pandemia foram discutidos no webinar Arena de Ideias, realizado nesta quinta-feira (20).

Participaram do bate-papo virtual a cofundadora da consultoria Maternidade nas Empresas, Luciana Cattony, e quatro pais da In Press Oficina: o gerente de Comunicação Digital, Felipe Zulato; o coordenador de Public Affairs, Raphael Amaral; o jornalista e consultor, José Ramos; e o videomaker Pablo Peixoto. A moderação foi da sócia-diretora da In Press Oficina e especialista em gestão de crise, Patrícia Marins.


Transformação nas relações interfamiliares

Luciana Cattony afirma que a pandemia exigiu uma nova relação interfamiliar, principalmente através da equidade de gênero. Ela acredita que essa nova forma de se relacionar das famílias pode trazer benefícios para todos os seus integrantes, seja a mãe, o pai ou os filhos. Além disso, até para as empresas. 

“A partir do momento que mães e pais compartilham as tarefas domésticas e os cuidados com o filho, todos ganham. Os filhos faltam menos à escola, tem menos tendência a síndromes como TDAH. As esposas ficam mais felizes, vão mais à academia, tomam menos remédios. Os homens bebem menos, se drogam menos, vão ao médico mais para consultas preventivas”, explica.

“Existem dados de que as empresas que têm uma paridade de gênero no topo das organizações são propensas a uma lucratividade até 21% a mais”, acrescenta.

Pai da pequena Tarsila, de 6 meses, Raphael Amaral acredita que compartilhar os cuidados com os filhos de uma maneira justa e igualitária é justamente uma das experiências mais enriquecedoras das famílias nesse momento de pandemia.

“O maior aprendizado é que estamos pensando de outra forma, abandonando a ideia de paternidade e maternidade e trabalhando a ideia de parentalidade. Nós pais temos que abandonar a ideia de que estamos ajudando em casa. Nós estamos fazendo nosso papel”, afirma.


Adaptação da rotina


Felipe Zulato, pai do Diego
, de um ano e nove meses, conta que foi necessário adaptar a rotina familiar para viver esse novo cotidiano, no qual o trabalho e o cuidado com o filho se misturam.

“Antes da pandemia a gente tinha os papeis bem divididos. Agora esses papeis estão completamente misturados. A pandemia acelerou vários processos e a transformação digital foi um desses. A Covid-19 forçou todo mundo a se adaptar a vídeo conferência”, ressalta.

Entretanto, para Luciana os pais têm que ficar atentos para evitar que o trabalho remoto os impeça de dar atenção a seus filhos, mesmo que seja por alguns minutos diários. “Precisamos entender que as pessoas precisam da nossa atenção. E que essa atenção não é a quantidade de tempo, mas a qualidade. Mais vale 10 ou 15 minutos inteira para o meu filho, sem celular e sem interferência. Um alerta e uma dica ao mesmo tempo é a gente parar”, recomenda.

Reflexões e aprendizados do “novo normal”

  

Com uma filha de 18 anos, Pablo Peixoto vive uma realidade um pouco diferente dos outros pais. Embora acostumado a fazer home office mesmo antes do coronavírus, as situações vividas por ele atualmente são novas.

“Estamos todos juntos. Minha esposa trabalhando home office ao meu lado, a Isabela fazendo faculdade, inglês. Então estamos dividindo computador, horários. Os conflitos criam outra proporção, porque é uma rotina que a gente não conhecia”, explica.

Acostumado a lidar com crises no trabalho, José Ramos, pai de duas crianças, de 5 e 10 anos, afirma que ainda está procurando assimilar a nova realidade imposta pela maior crise de saúde mundial da geração atual.

“As crises corporativas nós temos algum aprendizado, mas essa crise que estamos vivendo não tem uma trilha de conhecimento para te apoiar. O que tem tido é muito questionamento do papel como pai. Isso traz uma angústia e questionamento: onde estou errando? Estamos em um processo de aprendizado que ainda não está muito claro”, diz.

Para refletir

Patrícia encerrou o bate-papo deixando uma mensagem e uma reflexão sobre os dias atuais. “Não existe dor maior na nossa história do que essa. Estamos em luto, temos um papel social de salvar vida se impedir que outras morram. Mas a gente tem muito aprendizado e que a gente possa levar esse aprendizado para sempre”.

A gente vive correndo, trabalhando, mas a gente precisa entender que as pessoas precisam da nossa atenção. E não é a quantidade de tempo, mas a qualidade. Um alerta e uma dica é a a gente parar. 10 ou 15 minutos que a gente está inteiro para os filhos pode ser muito legal. Que a gente pare e entenda. A gente precisa olhar para isso de uma forma. Uma dica é a gente olhar para todo esse momento com afeto, estar inteira. É uma transformação que a gente está vivendo, e toda transformação acontece primeiro pela reflexão.

Arena de Ideias | O papel dos pais em tempos de isolamento e home office. Assista na íntegra: 

 

O Webinar Arena de Ideias da In Press Oficina acontece toda quinta-feira no nosso canal do YouTube.

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